terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Poesia: Letras Orquideanas


Rodriguezia bracteata.
Que Linda!
Não é humana;
Nem deusa;
Nem animal,
Mas encanta.
É um ser vivo...
De beleza fenomenal.
É uma planta!

Que se enraíza em nosso coração!

Com detalhes tão próprios;
Com cores, as mais exóticas;
Misturas, tons e texturas;
Tamanhos que lhes convém;
Atração em cheiro e cor.

Quão perfeita é a Orquídea!
É magma entre as flores!
É uma noiva em festa;
Um casamento por ano:
Entre ela e a contemplação do humano...

O que a torna inigualável?
É o capricho,
Que empenha em seu crescer
E no ápice de sua ternura,
Quando no seu florescer![i]
JaloNunes.



[i] Poesia escrita em 12/06/2009. Difícil foi escrever sobre "a orquídea", em versos, é que me falta(va) palavras para qualificá-la.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Taxonomia: família das Orquídeas

Comecei timidamente, pesquisando sobre este assunto, mas apenas me iniciei nesta pesquisa! O tema é  muito interessante e importante, mas é amplo, envolve história, ciência etc. No final, achei textos menos extensos e mais diretos, tentei resumi-los e vos apresento, logo abaixo:
“Taxonomia é a ciência da identificação (...). Muitos não a veem como uma ciência de primeira classe, pois entendem ser muito fácil nomear os seres vivos. [Mas], identificar não é simples. Ao contrário, é somar conhecimento, é realizar primeiro uma profunda análise para, depois, efetuar a síntese desse conhecimento e chegar a um ‘simples’ nome (...)”.
Gravura disponível em: profjabiorritmo.blogspot.com

“Fala-se muito hoje em taxonomia moderna, mas isto não existe. A taxonomia é uma ciência una, porém, que progride com o uso continuado e cuidadoso de ferramentas (...). A diferença entre a taxonomia de ontem e a de hoje está apenas nas ferramentas empregadas, que evoluíram bastante e permitiram conhecer melhor a atuação dos genes nos espécimes através do uso da microscopia eletrônica de varredura e da informação gerada por outros campos da ciência como, por exemplo, da ecologia, citologia, genética, bioquímica, biologia molecular, matemática etc. (...)”. 

“Contudo, mesmo aos trancos e barrancos, a taxonomia vai continuar porque é absolutamente necessária e imprescindível (...), afinal, o que importa é que sem a taxonomia não se pode saber quais espécies viveram ontem, vivem hoje e terão possibilidade de continuar vivendo amanhã numa determinada área (...)[1]”.

“(...) as principais categorias sistemáticas[2], em sucessão ascendente, são as seguintes: espécie (species), gênero (genus), família (familia), ordem (ordo), classe (classis), divisão (divisio) e reino (regnum). Categorias intermediárias podem ser necessárias. Recebem, então, nomes resultantes da anteposição do prefixo sub à categoria objeto de divisão (subfamília, subgênero etc.), ou se lhes aplicam designações particulares (tribo, seção, variedade, por exemplo)[3]”. 

TAXONOMIA DA FAMÍLIA ORCHIDACEAE
“(...) as orquídeas são perenes ou anuais e podem ser terrestres, epífitas, rupícolas, trepadeiras, saprófitas e mesmo subterrâneas. Suas folhas são alternadas, raramente opostas. Normalmente na base apresentam bainhas com veias paralelas. Frequentemente apresentam estruturas de reservas nutritivas, sejam raízes espessadas, tubérculos ou seja o caule modificado em bulbos. Flores são zigomórficas e bissexuadas, raramente unissexuadas (...)”.

“A família das orquídeas, como praticamente todos os outros seres vivos, está subdividida em diversos grupos progressivamente menores e afins, os principais pela ordem são: subfamília, tribo, subtribo, gênero e espécie. Entretanto em alguns casos nem todas essas subdivisões são necessárias, e em outros há mais divisões tais como a divisão de subgêneros em seções, subseções, séries e subséries ou alliances, e de espécies em subespécies, formas e variedades (...)”.

BREVE HISTÓRIA 
“Em 1753, Lineu lançou sua segunda edição de Species Plantarum, onde havia 8 gêneros de orquídeas, que entretanto não se constituíam em uma família à parte. Todas as espécies epífitas pertenciam ao gênero Epidendrum. Em 1789, Antoine Laurent de Jussieu publicou seu Genera Plantarum, onde dividiu os vegetais em 3 grupos: Acotiledôneas, Monocotiledôneas e Dicotiledôneas. Criou a família Orchideae. Por volta de 1800, Olof Peter Swartz, primeiro botânico especializado em orquídeas, dividiu-as em monandras e diandras. John Lindley, considerado o pai da classificação moderna de orquídeas, descreveu cerca de 2.000 espécies, publicadas em Genera and Species of Orchidaceous Plants, entre 1830 e 1840. Além disso dividiu os grupos de monandras e diandras em 7 tribos. Em 1858, Heinrich Gustav Reichenbach publicou nova classificação das orquídeas em Xenia Orchidaceae, entretanto a mesma nunca chegou a ser adotada pelos botânicos. Em 1926, Friedrich Richard Rudolf Schlechter elaborou uma reclassificação geral dividindo a família das orquídeas em 2 subfamílias: Cypripedioideae e Orchidoideae. Esta classificação foi muito utilizada e ainda hoje é possível encontrar algumas referências a ela. Um dos sistemas mais modernos, ainda amplamente utilizado, é o de Robert Louis Dressler, originalmente publicado em 1982, revisado em 1994, entretanto o mesmo já não atende as necessidades de classificação reveladas pelos exames de DNA das plantas”.

“Em 1995 Dariusz Szlachetko publicou uma nova proposta de divisão onde excluiu de Orchidacea as Famílias Apostasiacea e Cypripediacea, dividindo então Orchidacea em 8 subfamílias, privilegiando grupos morfológicos homogêneos. Desde a década de 60 discutia-se a conveniência de classificar as espécies segundo suas características evolucionárias, ou seja, filogenéticas, no entanto as pesquisas neste sentido sempre avançaram lentamente (...). Com a vulgarização das análises de DNA nos últimos anos, esse modelo recebeu enorme impulso e hoje parece ser bastante aceito, ou pelo menos considerado uma ferramenta adicional à observação de sua morfologia. Entre 1999 e 2008, Alec M. Pridgeon, Cribb, Mark Wayne Chase e Rasmussen lançaram os 4 primeiros volumes do Genera Orchidacearum, coleção que (...) pretende constituir-se em nova proposta de classificação para a família das orquídeas. Quase que exclusivamente baseada em critérios filogenéticos, algumas vezes em detrimento dos caracteres morfológicos, que servem mais para embasar suas conclusões, e em alguns casos são adaptados a ela (...)”.

A FAMÍLIA ORCHIDACEA SE DIVIDE EM 5 SUBFAMÍLIAS: 
· Apostasioideae Reichenbach: “plantas com pólen pastoso ou farinoso, que geralmente não formam polínias, com 2 ou 3 anteras férteis linear-lanceoladas, folhas de bases embainhadas, estaminóde alongado e labelo similar às pétalas”.
· Cypripedioideae Lindley: "plantas com pólen pastoso ou farinhento, que geralmente não formam polínias, com 2 anteras férteis oblongas ou ovais, folhas de bases embainhadas, estaminóde em formato de escudo e labelo geralmente saquiforme”.
· Vanilloideae Szlachetko:“plantas com pólen pastoso ou farinhento, que geralmente não formam polínias, com 1 antera fértil incumbente e folhas sem bases embainhadas”.
· Orchidoideae: “plantas com pólen coeso formando polínias, 1 antera fértil ereta ou tombada para trás e folhas enroladas claramente plicadas, raízes frequentemente carnosas”.
· Epidendroideae Lindley: “plantas com pólen coeso formando polínias, com antera incumbente, ou tombada para trás, mas então com folhas claramente plicadas e raízes raramente carnosas”.

ALGUMAS CURIOSIDADES TAXONÔMICAS BRASILEIRAS 
“A primeira orquídea brasileira a ser descrita, o Epidendrum vanilla, hoje Vanilla mexicana o foi em 1753 por Carl von Linné, depois foram descritas três ao mesmo tempo, em 1759: Epidendrum caudatum (hoje Brassia caudata), Epidendrum ciliare e Epidendrum punctatum (hoje Cyrtopodium punctatum)”.

“(...) o primeiro caso com espécie coletada no Brasil aconteceu em 1822 quando Conrad Loddiges descreveu a Gomesa planifolia utilizando o nome Gomesa recurva, já utilizado em 1815 por Robert Brown. Até 1799, 86 nomes de espécies de orquídeas que existem no Brasil haviam sido publicados, mas na realidade nenhuma delas foi de fato descrita para o Brasil, todas eram espécies provenientes de coletas em outros países da América, mas que futuramente foram encontradas também aqui. Dentre estas 86 descrições, 16 são hoje consideradas sinônimos. Em 1799 Swarts, descreveu a primeira orquídea existente exclusivamente no Brasil: Cymbidium pedicellatum (Zygopetalum pedicellatum), que então podemos considerar de fato a primeira orquídea brasileira a ser validamente descrita. Naturalmente, muitas plantas brasileiras já se encontravam em herbários no exterior, Guido Pabst aponta o fato de haver encontrado um Trigonidium brasileiro cuja coleta data de 1634, em um herbário da Dinamarca, porém essa planta só viria a ser descrita por John Lindley em 1838”.

MUDANÇAS NOS NOMES DAS ESPÉCIES 
“Desde que a primeira orquídea foi descrita, iniciou-se um problema até hoje sem solução: as mudanças de nomes. Os nomes das espécies mudam por diversas razões”.

“O nome original que uma espécie recebeu quando foi publicada pela primeira vez é chamado basônimo - o nome que é escolhido pelo autor na data de sua descrição. Como sabemos, os nomes dos gêneros mudam o tempo todo, mas os basônimos são sempre os mesmos (...). Algumas vezes o nome atualmente aceito da espécie é o próprio basônimo, como por exemplo no caso do Epidendrum nocturnum, que foi publicado originalmente por Jacquin já com este nome. Em outros casos o basonimo é diferente, como por exemplo a Brassavola nodosa, cujo basônimo é Epidendrum nodosum, nome originalmente escolhido por Linné na data de sua publicação; nunca mudará”.

“Cada basônimo encontra-se associado a um tipo. Chamamos tipo a um exemplar da planta incluído na publicação original. Ao longo dos anos as regras que definem o que seria esse exemplar mudaram (...). As regras para descrever plantas também foram mudando e ficando mais exigentes quanto à quantidade de informações necessárias. Uma das principais razões para isso é que os tipos de muitas das descrições originais não são suficientes para identificar a espécie a que ela se refere (...). Todas os nomes e descrições de orquídeas hoje considerados válidos, sejam eles aceitos ou não, são posteriores a 1753, data em que Linné lançou sua segunda edição de Species Plantarum (...)”.

“Como se sabe, as espécies não respeitam fronteiras e podem ocorrer em 2 ou mais países ao mesmo tempo. Deste modo, era frequente que, sem saber que um botânico europeu, ou de algum país vizinho, já tivesse descrito uma espécie, um estudioso local publicasse novamente a mesma espécie com um outro nome. Quando descobertos os enganos, a segunda espécie a ser descrita torna-se um sinônimo da primeira. Este tipo de sinônimo não é um sinônimo homotípico, e sim um sinônimo heterotípico (...)[4]”.

Observação endógena: não me recordo se já "falei" aqui no blog que a minha primeira orquídea foi um Catasetum macrocarpum (adquirido em 2002 e que ainda hoje está comigo). À princípio eu pouco sabia sobre o cultivo de orquídeas, mas ainda naquele ano (2002) tentei rabiscá-la numa folha de papel; o desenho sempre esteve bem guardado e pude fazer umas fotos dele, recentemente...

 
 


[1] BICUDO, Carlos E. de M. Taxonomia. Disponível em: <http://www.biotaneotropica.org.br/v4n1/pt/editorial> Acesso em fev. de 2014.
[2] “Divisão: dentro da seriação fitológica, representa a categoria que fica logo abaixo do Reino, sendo formada por um conjunto de Classes, embora em determinadas situações haja necessidade de incluir, categorias intermediárias - Subdivisões. Em regra, são tomados para sua constituição caracteres gerais relacionados com estruturas reprodutivas, morfológicas ou anatômicas (...)”.
“Classe: categoria hierarquicamente inferior à Divisão, sendo constituída por um conjunto de Ordens, ainda que possa dividir-se em subclasses, se necessário (...)”.
Ordem: categoria formada por um conjunto de Famílias, embora possa dividir-se em Subordens. As Ordens costumam ser estabelecidas com base em particularidades mais definidas (relacionadas com caracteres filogenéticos) do que aquelas usadas para a estruturação das Divisões e das Classes. Os nomes aplicados aos grupos pertencentes a esta categoria terminam em ales, quando formados à custa do radical de um nome de Família. Em alguns casos, tais nomes são irregularmente formados (Contortae, Príncipes). Para os grupos equivalentes a Subordens a terminação adotada é ineae”.
“Família: constituída em geral por mais de um gênero, é uma categoria comumente tratada com maior interesse nos textos de botânica sistemática. Sua descrição é feita com extensão bastante abrangente, de modo a contemplar características dos gêneros quase sempre numerosos nelas incluídos (...). Quando se está interessado em identificar um material botânico desconhecido, comumente procura-se, em primeiro lugar, conhecer a família a que pertence (...). Os nomes das Famílias são formados pelo radical do nome de um dos seus gêneros, acrescido da terminação aceae. Algumas exceções são expressamente consignadas (...). As Famílias podem também comportar divisões em Subfamílias, estas tendo seus nomes terminados em oideae. Em alguns casos, desdobram-se em Tribos ou estas podem resultar da divisão de Subfamílias. Se necessário, as Tribos subdividem-se em subtribos, recebendo as terminações respectivas de eae e inae".
“Gênero: categoria formada pela reunião de espécies semelhantes, cujo relacionamento não se baseia somente em caracteres morfológicos, mas também em particularidade de outra natureza, tais como as ligadas à origem, às migrações, ao comportamento genético, fisiológico e ecológico. Em função do número de espécies, torna-se necessário, em alguns gêneros, considerar subdivisões, estas podendo compreender: Subgênero, Secção, Subsecção, Série, Subsérie. Às vezes, a subdivisão se dá em nível de Seção, sem ser considerado Subgênero”. (PORTAL EDUCAÇÃO).
[4] Disponível em: <pt.wikipedia.org/wiki/Taxonomia_da_família_Orchidaceae> Acesso em fev. De 2014.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

1 - Aquisições 2014

Neste início de ano eu dei sorte e já consegui algumas orquídeas (seja um presente, seja uma conquista) elas estão comigo e também já se refazem! É verdade que há uma ou outra repetida, mas é sem dúvida, uma nova aquisição; e quanta a uma ou outra que representa a novidade: isso é ainda melhor!
  • Oncidium cilliatum
  • Epidendrum secundum
  • Epidendrum difformis
  • Rodriguezia (...)
  • Bc. Saint Andre
  • Terrestre sem ID.
 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

199 - Orquídea: Oncidium Pumilum

Vamos fazer, antes, um resumo das características desta micro orquídea:
Cultivo: difícil;
Floração: verão;
Duração das flores: 15 dias;
Tamanho quando adulta: até 20 cm;
Tamanho da flor: 5 mm;
Quantidade de flores: muitas;
Nome correntemente utilizado: Lophiaris pumila;
Autor: Guido Braem;
Data da publicação: 1993;
Sinônimos: Oncidium pumilum, Trichocentrum pumilum, Lophiarella pumila, Epidendrum ligulatum, Oncidium minutiflorum.
Origem: Brasil (RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MG, BA, GO, MS, MT, PA), Argentina e Paraguai;
Habitat: epífita em matas quentes e secas;
Altitude: 400 a 1.100 m;
Quantidade de espécies neste gênero: 24.
“Nota taxonômica: originalmente descrita em 1825 por John Lindley como Oncidium pumilum”. 
“Cultivo: 60% de sombreamento montado em um pedaço de casca. Se for plantado em vaso, deve preferir o barro. O substrato ideal é 50% de cascas picadas misturadas a 50% de carvão aos quais se pode acrescentar um máximo de 20% de musgo, mas com ótima drenagem". 
"Regas somente depois que o substrato secar completamente. Esta espécie, como quase todos os oncidiuns brasileiros, detesta ter as raízes úmidas por muito tempo, mas gosta muito de umidade do ar. Pode-se, opcionalmente, montar em casca e fixá-la no vaso sobre o substrato de modo que as raízes recebam apenas umidade do ar proveniente do substrato, sem que fiquem úmidas[1]”.

Observação endógena: assustei-me quando li que a forma de cultivo se encontrava na condição "difícil", mas por outro lado, por ser epífita de matas secas e quentes, ela tem se desenvolvido muito bem, desde que a adquiri (em outubro de ano passado, vindo do comum frio de SC). Logo depois de plantada iniciou formação de novas raízes e as hastes florais surgiram a partir de novembro de 2013 (ou seja, no mês seguinte) à sua chegada. Será que gostou tanto assim do clima quente e seco do Nordeste? Ou é por que já estava mesmo pronta para florir e não tomou conhecimento da mudança e das adversidades do clima?
O fato é que gostei de fotografar suas flores, apesar de serem micro e predominantemente amarelas. Elas, na verdade, duraram até o início de janeiro (sendo que flores plenas por um período de 11 dias, apenas); mas formaram um ramalhete com mais de 220 pequenas flores (em 2 hastes e suas respectivas ramificações).  
 
 
 
 
 

[1] Disponível em: http://www.colibriorquideas.com/especies/Lophiarispumila.php Acesso em out. de 2013.

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